O Tocantins atingiu um patamar preocupante no combate às arboviroses. De acordo com o último boletim do Ministério da Saúde, o estado registrou 10.033 casos prováveis de dengue em 2026. O número representa um salto de aproximadamente 203% em relação a 2025 (3.308 casos) e de 135% em comparação a 2024 (4.259 casos).
Cenário de Óbitos e Letalidade
Até o momento, o estado confirmou cinco óbitos pela doença, com três casos ainda em fase de investigação laboratorial. Curiosamente, embora o volume de infectados seja maior, a taxa de letalidade apresentou redução. Em 2026, o índice em casos prováveis está em 0,05, uma queda de 16,7% em relação ao ano anterior (0,06). Nos casos graves, a redução é ainda mais expressiva, passando de 4,08 em 2025 para 2,70 em 2026.
Ações de Enfrentamento
A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) informou que o trabalho de combate ao mosquito Aedes aegypti é permanente. Entre as ações estratégicas destacam-se:
-
Monitoramento: Uso de armadilhas do tipo ovitrampas para identificar a concentração de larvas.
-
Controle Químico: Distribuição de larvicidas, adulticidas e equipamentos para os municípios.
-
Diagnóstico: Realização de exames para dengue, chikungunya e zika pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen).
Orientações e Sintomas
Em entrevista, a gerente de vigilância das arboviroses da SES-TO, Cristiane Bueno, detalhou o quadro clínico e os cuidados necessários.
“O paciente com dengue geralmente apresenta febre alta, acima de 38 graus, por um período de dois a sete dias, podendo estar associada a dois ou mais sintomas, como náusea, vômito, manchas avermelhadas na pele, mal-estar geral, dor no corpo, incluindo dores musculares e nas articulações, além de dor de cabeça e dor atrás dos olhos”, destacou a gerente.
Sobre a prevenção, Cristiane Bueno foi enfática ao apontar que o foco deve ser a eliminação do vetor em sua fase inicial.
“A dengue é transmitida principalmente pelo mosquito, e para reduzir a transmissão é fundamental agir na fase mais vulnerável do ciclo, que é a larva. Por isso, é importante eliminar locais com água parada, como vasos de plantas, ralos, calhas e recipientes de animais, manter esses espaços limpos e a água trocada com frequência, além de adotar medidas como uso de telas e repelentes para evitar o contato com o vetor”, explicou.
Alerta Nacional
O cenário tocantinense reflete uma tendência nacional. O Brasil já contabiliza 207.206 casos prováveis de dengue em 2026, com 72 óbitos confirmados e 165 em investigação. O Ministério da Saúde reforça que, além do controle de criadouros, a vacinação oferecida pelo SUS desde o final de 2023 é uma ferramenta essencial, especialmente para grupos de maior risco como gestantes, crianças e idosos.

