O Brasil registra um avanço preocupante nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), principalmente entre crianças menores de dois anos. Segundo o novo boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o aumento está diretamente ligado à circulação do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), considerado hoje o principal causador de bronquiolite em bebês e crianças pequenas.
O Tocantins aparece entre os estados brasileiros em situação de alerta e alto risco para doenças respiratórias, ao lado de unidades federativas como Amazonas, Pará, Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal. O levantamento também mostra que o estado está entre aqueles com tendência de crescimento de casos nas próximas semanas, acendendo um sinal de atenção para autoridades de saúde e para a população.
De acordo com a Fiocruz, nas últimas quatro semanas, 41,5% dos casos positivos de SRAG foram provocados pelo VSR. Em seguida aparecem os casos de Influenza A, responsável por 27,2% das confirmações, além do rinovírus, com 25,5%. Entre os óbitos registrados com confirmação laboratorial, a Influenza A lidera os registros, especialmente entre idosos.
O boletim destaca ainda que o aumento da circulação viral acompanha o período sazonal típico do Hemisfério Sul, quando doenças respiratórias costumam crescer devido às mudanças climáticas e à maior permanência das pessoas em ambientes fechados. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) já havia emitido alerta sobre o avanço da Influenza A H3N2 e do Vírus Sincicial Respiratório em países da América do Sul.
Especialistas reforçam que a vacinação segue sendo a principal forma de prevenção contra casos graves e mortes. A vacina contra a gripe está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com prioridade para idosos, crianças, gestantes, pessoas com comorbidades e grupos vulneráveis. Já a proteção contra o VSR inclui vacinação em gestantes e o uso de anticorpos monoclonais em bebês prematuros de alto risco.
Além da imunização, autoridades recomendam medidas simples que ajudam a reduzir a transmissão dos vírus respiratórios, como higienização frequente das mãos, evitar aglomerações em períodos de sintomas gripais e utilizar máscara em casos de síndrome respiratória.
Em 2026, o Brasil já contabiliza mais de 57 mil casos de SRAG, com milhares de hospitalizações relacionadas a vírus respiratórios. O cenário reforça a necessidade de atenção redobrada das famílias, especialmente com crianças pequenas e idosos, considerados os grupos mais vulneráveis às complicações.

