Influenciadora e advogada é alvo de mandado de prisão preventiva; investigações apontam ligação com cúpula do crime organizado e esquema de lavagem de R$ 327 milhões.
POR REDAÇÃO TAQUARUÇU ONLINE
21/05/2026 – 09h57
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) durante a deflagração da Operação Vérnix, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo em parceria com o Ministério Público do Estado (MPSP). A investigação aponta supostos vínculos entre a comunicadora e o Primeiro Comando da Capital (PCC), maior facção criminosa do país.
Ao todo, são cumpridos seis mandados de prisão preventiva. Entre os alvos estão Marco Herbas Camacho, o Marcola – que já se encontra preso –, um irmão e dois sobrinhos do homem apontado como líder da facção, além de Everton de Souza, conhecido como “Player”, investigado como operador financeiro do esquema. As ordens judiciais também determinam o bloqueio de valores superiores a R327milho~es∗∗,osequestrode17veıˊculos–incluindomodelosdeluxoavaliadosemmaisde∗∗R 8 milhões – e a apreensão de quatro imóveis vinculados aos investigados.
As investigações que começaram em 2019
As apurações tiveram início em 2019, quando a Polícia Penal apreendeu bilhetes e manuscritos no interior da Penitenciária II de Presidente Venceslau, que estavam com dois presos. O conteúdo dos materiais revelou dinâmicas internas do PCC, como a atuação de lideranças encarceradas e possíveis planos de ataques contra agentes públicos.
A partir dessa descoberta, a polícia instaurou três inquéritos. O primeiro focou diretamente nos dois sentenciados que portavam os bilhetes. A análise permitiu identificar referências a ordens internas da facção, contatos com integrantes de alta hierarquia e menções a ações violentas contra servidores públicos. Os dois envolvidos foram condenados e transferidos para o sistema penitenciário federal. Entre os trechos analisados, havia a menção a uma “mulher da transportadora”, que teria levantado endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados pelo PCC.
O segundo inquérito buscou identificar essa mulher e a relação da transportadora com a facção. As diligências conduziram a uma empresa sediada em Presidente Venceslau, posteriormente reconhecida judicialmente como instrumento utilizado pelo crime organizado para lavagem de dinheiro. Essa fase resultou na Operação Lado a Lado, que revelou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como braço financeiro da facção.
Durante essa operação, a apreensão de um celular abriu uma nova frente investigativa. O conteúdo do dispositivo revelou conversas com pessoas ligadas à cúpula do PCC, indícios de repasses financeiros e conexões com Deolane Bezerra, uma das maiores influenciadoras do Brasil.
O papel de Deolane Bezerra no esquema
Segundo os investigadores, Deolane mantinha estreitos vínculos pessoais e negociais com um dos gestores fantasmas da transportadora investigada. Foi a partir desse material que nasceu a Operação Vérnix, terceira etapa da apuração, com o objetivo de expor um esquema mais amplo de lavagem de capitais, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras.
As apurações apontam que a influenciadora passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando do PCC. Os levantamentos mostraram o uso de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e a aquisição ou vinculação a bens de alto padrão.
Para os investigadores, a projeção pública de Deolane, sua atividade empresarial formal e sua movimentação patrimonial eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos. A investigação também identificou o uso de estruturas empresariais e patrimoniais sucessivas, mecanismo que teria como finalidade dificultar o rastreamento da origem, circulação e destinação do dinheiro.
Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, as operações financeiras e movimentações bancárias analisadas não apresentaram justificativa lícita suficiente.
Dimensão internacional e foragidos
A Operação Vérnix também tem dimensão internacional. Três investigados estariam fora do país, em nações como Itália, Espanha e Bolívia. Por isso, a Polícia Civil representou pela inclusão deles na Lista Vermelha da Interpol, por meio de difusão vermelha. O objetivo é localizá-los e adotar as providências legais cabíveis.
Nota da defesa
Pelas redes sociais, a advogada e irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, afirmou que a nova prisão de Deolane representa uma perseguição contra a advogada. Em nota, ela declarou:
“Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos. Acusar é fácil. Difícil é provar. No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expõe, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública… para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi feito. E isso é grave.”

