Proposta de redução da carga horária semanal gera divisão; emendas apoiadas por parlamentares tocantinenses propõem regras de transição e flexibilização para setores específicos.
PALMAS – A discussão sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) segue como um dos temas centrais na pauta do Congresso Nacional. No Tocantins, a bancada de deputados federais tem apresentado posicionamentos que refletem a complexidade do debate, equilibrando as demandas por direitos trabalhistas e as preocupações de setores econômicos, como o comércio, serviços e o agronegócio.
A proposta original, que ganhou força sob a articulação da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), defende a redução da jornada máxima semanal para 36 horas, distribuídas em quatro dias de trabalho. Os defensores da medida apontam que a mudança é essencial para a saúde mental, o aumento da produtividade, o lazer e a qualidade de vida da classe trabalhadora, além de acompanhar tendências globais de reestruturação do mercado de trabalho.
As Propostas de Flexibilização e Transição
Por outro lado, parlamentares de partidos de centro, centro-direita e ligados a frentes do setor produtivo manifestam preocupação com o impacto financeiro imediato sobre as pequenas e médias empresas. No Tocantins, deputados como Alexandre Guimarães, Eli Borges, Antonio Andrade e Filipe Martins têm acompanhado e assinado emendas e propostas alternativas que buscam suavizar essa transição.
As principais frentes alternativas defendidas por esses setores no Congresso propõem:
Transição Gradual: Estabelecer um prazo de carência — que em algumas emendas de bancadas setoriais chega a prever transições escalonadas ao longo de uma década — para que o mercado se adapte sem demissões em massa.
Teto de 40 Horas Semanais: Uma contraproposta fixando o limite em 40 horas semanais, intermediária entre as 44 horas atuais e as 36 horas pretendidas pelo projeto original.
Regimes Especiais para Serviços Essenciais: Manutenção de regimes diferenciados e flexíveis para setores que operam em regime de plantão contínuo, como saúde, segurança e cadeias agroindustriais.
Impacto no Comércio Local
Representantes do comércio varejista e de serviços em polos turísticos e comerciais do Tocantins acompanham a tramitação com cautela. Empresários argumentam que uma mudança abrupta poderia elevar os custos operacionais com contratações complementares, enquanto líderes sindicais reforçam que o bem-estar do trabalhador se traduz em um consumo interno mais forte e maior eficiência.

